quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DIA DA CONSCIENCIA NEGRA


“Igualdade para os iguais e desigualdade para os desiguais” –
Aristóteles.

Hoje me esbarrei nessa frase de Aristóteles, ao refletir sobre o dia da consciência negra. De imediato, lembrei-me  do princípio constitucional de que “todos são iguais perante a Lei”. Nada mais certo. A justiça é para todos e não serei eu a desmerecer essa verdade!  Mas, me questiono: como igualdade para todos? O que seria igualdade para uma pessoa abastada e privilegiada por todo um contexto histórico, quando paralelamente se considera a igualdade para um miserável que também vivenciou o mesmo contexto histórico, mas na periferia da vida, socialmente marginalizado, politicamente explorado e humanamente esquecido?

Infelizmente a verdade é dolorida: Não somos todos iguais. Veja bem: Não estou falando de traços físicos, características biológicas... Não. Quando digo que a verdade da desigualdade dói, penso naquela desigualdade histórica, social, desenhada ao longo da nossa caminhada com pinceladas fortes e marcantes, cuja tinta nada mais é senão o sangue do negro, do índio e de um número muito grande de pessoas usadas, espoliadas e privadas das possibilidades de uma vida descente, digna, cidadã!

Essa diferença dói. E dói mais para os igualmente miseráveis, sofredores. Nesse sentido, que bom que existe o dia da consciência negra!  Proponho a que criemos também o dia da consciência do desempregado, do faminto (alguns já usam o Natal pra isso!). Quanto mais DIAS DE CONSCIENCIA, mais reflexões  teremos e menos esqueceremos de que o que estamos vendo ante os olhos não são uma mera fatalidade do destino, ou fruto da vontade divina, mas resultado de uma bagunça danada que fizemos neste mundo.

Na verdade, é bom que essa diferença doa. Mas doer na consciência de cada cidadão, que se omite diante do mal, se cala diante da mentira e vira a face diante da miséria e das desigualdades sociais. Ainda mais quando nos travestimos com as roupas da cidadania, da política e da religiosidade e usamos a plataforma, ou o púlpito, disparando discursos políticos e religiosos aos quatro ventos... não para que se sobressaia o conteúdo do discurso, mas para que se tenha a oportunidade de aparecer, ao discursar.

Se somos todos humanos, por que somos tão diferentes nos aspectos sociais, econômicos...? Alguns dizem que a vida é assim mesmo. As oportunidades aparecem e quem as aproveita se dá bem. Também já ouvi dizer que o sol nasce para todos. Mas convenhamos, esse conceito é capitalista. E não me venham dizer que Deus quis assim! Esse Deus eu não conheço.

Quem sabe a gente precise reformular a pergunta acima: Se somos todos humanos, por que agimos de forma tão diferentes em relação ao outro? Sinceramente?  Até parece que a vida se assemelha ao filme do incrível caso de  Benjamim Bottom, correndo de trás pra frente, à marcha ré e na contra mão de conceitos universais que existem para dar sentido e razão àquilo que nos orgulhamos em chamar de consciência humana!
Sou obrigado a concordar e citar Nelson Mandela:  "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."  

Até hoje, o ser humano tem revolucionado as muitas áreas do saber. Mas o fruto de toda essa revolução sempre de novo tem sido devastador para vida em geral.  Para o Brasil nascer, o índio morreu, o negro foi escravizado... Dividimos um átomo, mas criamos a Bomba. Fomos à Lua e devastamos as florestas, acabamos com as montanhas, secamos as nascentes....Enfim, somos mais sábios e cultos, mas nunca tivemos tanto medo de uma natureza descontrolada, ou de um confronto nuclear, como se tem  hoje. 

Concordo que talvez esteja na hora de mudarmos de revolução. A Política pode mudar a sociedade, quando bem usada. Mas somente a educação pode mudar uma vida e somente o amor pode salvar a humanidade. Talvez o caminho do aprendizado seja realmente parar um pouquinho, olhar para história, reconhecer os erros, estabelecer objetivos, trabalhar nossa consciência e fundamentar ações concretas para nos libertar desse falso conceito de humanidade, igualdade e cidadania (tutelada) a que estamos presos.
Lauro Schneider