segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Miserável



Na fria madrugada
O miserável caminha
Em trôpegos passos
Rastejantes até,
Ao longe se vê.

Uma bolsa do lado,
Surrada e suja,
Cansado ele trás,
Andando sem rumo,
Pois não tem aonde ir.

Nos cantos escuros
De uma via sem fim
A vida o levou
E ele não quis estar assim.

De um lado ao outro
Perambula o pobre
À procura de um resto,
Que possa comer.

As latas revolve
Envolve-se o cão,
Procura no lixo
O que lhe serve de pão.

Não pode um ser humano
Desejar tal ventura,
Tamanha miséria,
Escória, penúria,
Sem brilho nos olhos,
Triste criatura!

Mas, ao vê-lo passar,
Tão perto assim,
Arrepia minh’alma
É tão igual a mim!

É um ser tão humano,
Lindo até!
Tem olhos, tem braço,
Tem lábio, tem pé,
Tem até coração!
Só não vê a esperança,
Perdeu sua fé!

Nossa terra é tão rica,
Que é capaz de suprir,
A fome de todos,
Que precisam viver;
Só não pode servir,
À ganância de poucos,
Que se apossam de tudo,
Para se enriquecer!

Por Lauro Schneider

Estranho Progresso


 
Estranho é o progresso.
Expressa o reflexo
De um ser tão complexo
Que o inventou.
 
Ao longo da historia
Infame, inglória, se vê,
Do progresso, o inverso,
A humanidade caminhou.
 
Destruiu-se o sistema
Eco, lógico, o esquema,
Teorema perfeito
De Deus entre nós.
 
E agora ecoa o grito,
Maldito,
De uma terra em transe
Que não pode calar.
 
Derrubaram as árvores
Queimaram as matas
Destruíram fontes
Sujaram o mar.
 
E aquece-se a terra,
Inundam-se as serras,
Não vejo mais flores,
Só há cinzas, fumaça no ar.
 
Até as pedras, eternas,
Que a mente insana, humana,
Em nome do progresso, reclama,
Estão a explorar.
 
Não há quem ajude,
Quem os faça parar.
A ganância tamanha
Do futuro desdenha.
 
Será que haverá?
 
Por: Lauro Schneider