segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Miserável



Na fria madrugada
O miserável caminha
Em trôpegos passos
Rastejantes até,
Ao longe se vê.

Uma bolsa do lado,
Surrada e suja,
Cansado ele trás,
Andando sem rumo,
Pois não tem aonde ir.

Nos cantos escuros
De uma via sem fim
A vida o levou
E ele não quis estar assim.

De um lado ao outro
Perambula o pobre
À procura de um resto,
Que possa comer.

As latas revolve
Envolve-se o cão,
Procura no lixo
O que lhe serve de pão.

Não pode um ser humano
Desejar tal ventura,
Tamanha miséria,
Escória, penúria,
Sem brilho nos olhos,
Triste criatura!

Mas, ao vê-lo passar,
Tão perto assim,
Arrepia minh’alma
É tão igual a mim!

É um ser tão humano,
Lindo até!
Tem olhos, tem braço,
Tem lábio, tem pé,
Tem até coração!
Só não vê a esperança,
Perdeu sua fé!

Nossa terra é tão rica,
Que é capaz de suprir,
A fome de todos,
Que precisam viver;
Só não pode servir,
À ganância de poucos,
Que se apossam de tudo,
Para se enriquecer!

Por Lauro Schneider

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