sábado, 2 de novembro de 2013

Homenagem ao Imigrante Alemão e ao Luteranismo Brasileiro


Ante os navios, ancorados,
Num porto, apertados,
Espremidos estão,
Homens, mulheres, crianças.
E um novo mundo,
Renovando esperanças
Reforça-lhes o intento,
Do mar, no horizonte além,
O sonho do sustento,
Que a Alemanha não mais tem.

Com a seca e o longo inverno,
Chega a desolação, o inferno,
Tirando-lhes o pão,
Dos pés o seu chão,
Ficando órfãos, então,
Um povo sem nação.
O ontem ficou para trás,
E o olhar se lança à frente,
Com outros, tanta gente,
Irmãos, que sonha igual,
E juntos pensam um final,
Um destino diferente
Um futuro que melhor apraz.

Ao apito do navio, adentram,
Com as bagagens na mão;
O oceano eles enfrentam,
Em fétido porão.
É o navio que zarpa,
Cortando os mares;
Que rompe o passado,
Singrando pelos ares,
Entre as lágrimas que rolam,
Já de saudade e emoção.

Hoje imagino as horas passadas;
As palavras trocadas;
Das ondas, os açoites;
Das doenças, nas noites;
Até às mortes, que ouço tão fortes,
Dos corações, as batidas no peito;
E sinto o arfar, rarefeito,
Esperando a chegada,
Ansiosos, pela aurora,
De sair correndo para fora,
Pisar bem forte o chão,
A terra desta nova nação,
Do Brasil que agora
É seu novo lar, seu torrão.

Não contenho a emoção,
Sofro junto, sou irmão.
E, então me estremeço,
Pois de mim, o que conheço,
Mais do que muito apreço,
Corre nas veias, e agradeço,
Esse sangue imigrante,
Sangue de origem, alemão!
Mesmo com os olhos abertos
E de lágrimas até já cobertos,
Faço um pequeno tributo
E uma singela oração.
Mas se não a faço direito
Peço perdão: é meu jeito,
Jeito simples, da roça,
Descendente de alemão.

Já faz tempo essa história,
Dos imigrantes de outrora,
Que vieram colonizar o Brasil;
Que, além da semente plantada,
Da riqueza cultivada,
No solo, com a própria mão,
Trouxeram algo mais grandioso,
Junto às bagagens, mais precioso,
Uma Bíblia e o Catecismo de Lutero:
A fé de um homem austero,
Fiel a Deus no seu Ministério,
O fundador da Igreja Luterana,
O restaurador do Evangelho Cristão.

Assim nasceu o Luteranismo Brasileiro.
Uma igreja das colônias, nas roças,
Que migrou para as cidades
Alcançando o país inteiro.
Ela anuncia cristalina, pura, a verdade,
Que o Evangelho e a fé vêm primeiro;
Depois seguem as obras, a caridade.
A Igreja Luterana testemunha à nação:
Somente na Escritura, de Deus, há revelação;
Somente a Sua Graça move o viver cristão;
E somente a fé em Jesus traz paz, justificação.

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